sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Escovando os dentes

Escovar os dentes era algo difícil de se fazer estaticamente para Gabriela.
Ela gostava de ler algo, pintar as unhas, falar com alguém, pingar espuma na sala, tentar cantar em frente ao espelho... tudo, mas nada de ficar parada.
Hoje, não. Gastou alguns minutos movimentando as cerdas e pensando no quanto sentia falta dele.
Dos abraços, dos beijos, do cheiro, do tocar dos pés, do andar de mãos dadas, dos sorrisos, dos olhares, dos abraços, dos beijos, do cheiro...

Gabriela estava com medo de assumir um compromisso, era uma grande passo: deixar a vida que estava acostumada de lado e se abrir a um novo mundo. Depois de dois dias de reflexão pura, sem qualquer tipo de pressão, ela entendeu que era o que deveria acontecer. Um compromisso. Queria? Sim, queria.
E ele? Pelo menos quarenta e cinco dias distantes. Suportariam? Sim. Era o preço do compromisso.

Ela queria lhe falar o tempo todo. Contar do dia, das conversas que teve, dos amigos que viu. Ele ouvia alguma coisa, comentando a respeito. Ela não sabia se deveria continuar comentando. Ele só queria dar um beijo de "boa noite" e um abraço apertado. Ela só desejava ganhar uma rosa, um beijo e sentir o tocar dos seus pés. Ele só queria ver o brilho dos seus olhos e sentir seu desespero de elevador apertado. Ela gostava de sentir o frio na barriga quando o via de surpresa. Ele gostava do barulho que ela fazia ao abrir a porta.  Ela amava seu jeito sabe-tudo. Ele era louco por sua ingenuidade de certos momentos. Ela enxergava seu jeito de andar em qualquer um, até descobrir que era insanidade. Ele a via em qualquer flor de canteiro. Ela só queria dizer que era só dele. Ele só queria dizer que era só dela.

Nenhum comentário:

Postar um comentário