Olhando para o teto do consultório com acabamento em gesso, verde-cor-de-hospital, impecavelmente limpo e pintado, o coração estava apertado e a mente, vazia. Eu não sabia o que pensar e nem conseguia formar algum pensamento. Situação esquisita. O choro era involuntário e eu sentia uma dor pontuda que não tinha nada de físico. Como é difícil ver algo tão bem planejado escapar das mãos. Como eu gostaria de superar qualquer convenção social, sair gritando e espernear feio louca. Como eu queria superar as leis da física, pular do nono andar e cair no chão sã e salva. Eu queria adrenalina para poder ficar bem, eu queria arrancar aquela dor com as mãos. Eu queria fugir, eu queria silêncio, eu queria qualquer coisa, menos ficar ali. Sem poder fazer nada, eu só chorei.
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