sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

No outro dia, ...

... Ana acordou meio atordoada com a ligação de sua mãe convidando-a para almoçar.  
Logo que chegou ao Brasil, alugou um apartamento pouco distante da casa dos pais e, desde então, não deixava de receber os tais convites. Porém, dessa vez, a mãe a levou para um restaurante. Foi sem o pai de Ana, o que era de se estranhar. Após o cumprimento, sua mãe pegou o próprio celular e o entregou à filha. Várias chamadas não atendidas e mais mensagens não lidas. Alguém estava desesperado: era ele.
Apreensiva, Ana explicou o que havia acontecido e pediu para que a mãe desligasse o celular. Ela tentaria reabilitar seu número pela tarde. Então, depois de chorar toda a ilusão do reencontro, sorriu. Nada melhor do que um colo de mãe e uma comida mexicana para restaurar o ânimo.
Com seu número antigo em funcionamento, foi só aguardar alguma tentativa dele. Sentada em um banco na praça do mercado municipal, ela esperou. Sem disciplina e controle dos seus pensamentos, Ana revivia cada momento que estiveram juntos. O surpeendente é que nem as lembranças das noites de amor, nem a primeira vez que se olharam e nem o primeiro beijo a fizeram chorar, mas sim a sensação que ela experimentava quando abraçada por trás, mesmo mal arrumada e fritando bistecas.  Ele apareceu com outro terno escuro, uma camisa branca e uma gravata cinza, carregando um pacote em suas mãos. Ana pensou em desistir, mas era mulher o suficiente para escutá-lo e estava curiosíssima para saber o que havia dentro daquela caixa.

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