Tamanho mediano, enfeitada, azul. Com certeza alguém arrumou para ele. O que será que tem ali dentro? O que ele guardou com tanto esmero? Fotos? Cartas? Eu não mandei cartas pra ele. E-mails? Não mandei também. Coisas antigas? Não deixei nada na casa dele. Ai, tá vindo! Espero aqui? Ou saio e depois finjo que acabei de chegar? Me viu, fiquei. Ele sorriu. Não se derrete. Ele tá noivo.
Ele chegou, beijou-lhe as maçãs do rosto, como ela gostava. Ela sorriu parecendo obrigação. Ele lhe perguntou se era o anel, Ana apenas concordou. Então, desatou a falar. Estava noivo havia três meses com casamento para dali a quatro. Falou, falou, falou. Mas só uma frase passava na cabeça dela: “Você a ama?”. Perguntou. Sua resposta foi abrir a caixa. Silêncio.
Quanta coisa. Peço explicação? Fico com essa cara feia? Sorrio? Ele vai casar. Quieta.
Ana não precisou fazer nada, ele foi retirando objeto por objeto e explicando o motivo de tê-los guardado. Todo dia 12, ele mantinha algo que lembrasse Ana. Uma flor, um brinco prata de bolinha, um tic-tac preto, um vidro de esmalte vermelho, um CD de bossa nova, um plástico de alfajor e outras tantas lembranças. Se era comida, comprava, comia e guardava a embalagem. Qualquer coisa que lembrasse, guardava. Depois de alguns meses, havia deixado de pensar nela todos os dias, mas os dias 12 eram impossíveis.
A cada explicação, Ana sentia algo diferente. Queria sorrir, chorar, enchê-lo de beijos. Pra evitar tudo, permaneceu gélida, distante, emburrada. Ele desabou. Não acreditava que ela tinha voltado logo agora, estava tão bem, tinha se adaptado a sua ausência.
Eu não consigo me focar. Esses lábios lindos, movendo-se sem parar. O que eu faço? Acho que nunca o desejei tanto. Vou sorrir, mas nem sei mais o que ele está falando.
Ana cobriu os lábios dele com a mão, pediu para que cessasse a conversa e beijou-lhe, como se fosse a última vez.
Para relembrar:
Texto 1 e Texto 2
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